Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Janeiro 14 2011

COMBOIOS

 

 

(enquanto espero alguém)

 

 

Gosto do movimento dos comboios
e das pessoas
numa estação grande

 

Ali o olhar expando
em todas as direcções
e imagino o que vai passando
por tantas almas 
e tantos corações

 

Aqui um par se beija
contorcendo o corpo de desejo...
Bocas unidas
abertas, frementes,
olhos reluzentes
no calor do beijo

 

Ali outro par conversa
sem ter a mesma sede

 

Além um outro à pressa
Se despede

 

E chega um comboio
pela linha três...
Todos vão à pressa
mas na sua vez

 

Alguém lê o jornal
num recanto mais pacato

E tantos, sentados,
nos bancos em fila,
lêem uma revista
ou coisa nenhuma...

 

E um comboio se esfuma
pela linha quatro

 

Há choros e risos
na ida ou chegada
Gente que se abraça,
gente emocionada

 

Mais uma chegada...
Mais uma partida...

 

Fico assim absorto
tudo contemplando...

 
E vou viajando
neste meu conforto
do comboio da vida.

 

 

Joaquim Sustelo

 

 

publicado por tardesdeoutono às 07:51

Dezembro 31 2010
 

 

LOGO À MEIA NOITE
 
 
Logo à meia noite correrá o pano
Findará um Acto, cessará de vez!
Ficam os actores, mas o velho ano
Morre pela idade... o dois mil e dez
 
Dois mil e dez anos! Uma infinidade
Desde o nascimento na velha Belém
Em pobre choupana, na precariedade,
De um Homem de Paz, que pregava o Bem
 
Fosse Ele quem fosse na filiação,
Nascido do povo ou de origem divina,
Estaremos unidos nesta opinião
De que vale a pena seguir-lhe a doutrina
 
Falou de equidade, de amor, de carinho,
De paz, de concórdia, do homem-irmão...
Indicou a todos qual era o caminho
À luz da palavra, bondade e perdão
 
Seus ensinamentos foram caso sério
Para o homem vil, tornando-o iracundo;
Que a partir de Roma formara um Império
A ferro e a fogo mandando no mundo!
 
E logo o mataram, com tantos maus tratos
(Que ousou pôr em causa ganâncias, poder...)
Mas ainda hoje governam "Pilatos"
Com os mesmos actos, que lhes dão prazer
 

Porquê? - Interrogo.  Não há quem me diga?
- Se os Impérios caem à luz da razão,
Como os anos morrem - que o tempo os obriga -
Ou morremos todos, quer ricos quer não!
 
A vida é de instantes, é breve passagem
No tempo que voa e vai tão veloz...
Podia ser bela, cómoda a viagem
Bastando só querermos... depende de nós!
 
Senhores da guerra, do Quero e do Posso
Olhos que só vêem ganância e cifrões,
O mundo é de todos e nunca só vosso!
Discutam ideias, aclarem razões!
 
Logo à meia noite virá mais um ano...
- De paz, de amizade, de amor, se componha!
Seja festejado, no quotidiano!
Dos erros passados tenhamos vergonha!

 

 

 

Joaquim Sustelo

publicado por tardesdeoutono às 14:11

Dezembro 24 2010

 

 

NOITE ESPECIAL

 


Ecoam no silêncio das manhãs
passos incertos
tirando o brilho à luz das madrugadas

 

- São seres por caminhos pouco abertos
ou largos, mas de nadas

 

Tremulam pelos bancos ao relento
num roto cobertor
que deixa passar esp'ranças ocas... vãs...


Apenas as canções na voz do vento
da chuva e do frio, fero, cinzento
embalam as manhãs
nuas de amor

 

Esta noite, têm momentos de sossego
- um tecto e ceia
Que a Noite de Natal traz mais apego
e a lembrança dá-se
como se a quem se lembra se injectasse
amor na veia

 

Mas amanhã vai-se o Natal.
Depressa...
Cessa a quadra de encanto e de magia

 

E ecoarão os passos incertos pelas ruas
onde tudo recomeça

 

Como se proviessem de almas nuas...

 

Noite após noite...
Dia após dia...

 


Joaquim Sustelo

24.12.2010

 

publicado por tardesdeoutono às 14:38
editado por appoetas às 18:25

Dezembro 23 2010

SONETILHO DE NATAL

 

 

Nesta quadra que esvoaça
Em que Amor ganha um alento,
Em que o perfume do tempo
As almas mais entrelaça,

 


Sinto teus passos no vento
E do teu sorriso, a graça...
Há um gesto teu que abraça
Num constante movimento

 


Vai-se o Natal, ele é breve
Os corações ganham neve
E no teu já me concentro

 


Nele existe sempre amor
E é por esse fulgor
Que tu me ficas cá dentro.

 

 

Joaquim Sustelo

 

publicado por tardesdeoutono às 11:46
editado por appoetas em 24/12/2010 às 18:26

Dezembro 10 2010

 

 

O RELÓGIO

 


Foi num Natal distante. Era criança
e pus o meu sapato à chaminé...
- Que a mãe tinha-me dado uma esperança
de vir o Pai Natal pé ante pé,

 


deixar algum brinquedo ou algo mais
que achava que eu de facto merecia;
E tal como acontece em casos tais,
deitei-me, num silêncio de alegria

 


A casa era no campo, num sossego
que nada nem ninguém entrecortava;
Mas lembro, manhãzinha, logo cedo
ao pé da chaminé, já me encontrava

 


Descalço, a evitar algum barulho,
ansioso por saber eu comecei
a desatar o pequenino embrulho
que dentro do sapato então achei

 


Brilhava já o lume em dois madeiros
que a mãe punha bem cedo, pla manhã,
onde fervia o leite e os primeiros
comeres, para se ir ao nosso afã

 


Brilharam do relógio os dois ponteiros,
o vidro reluzia, coisa linda!
Meus olhos faiscaram tão ligeiros
e deles foi maior o brilho ainda!

 


Relógio tão bonito... e era meu!
E mais feliz do que eu? - Creio que ninguém!
Trouxesse o Pai Natal, de lá do Céu,
viesse do meu pai, da minha mãe,

 


era o início do marcar das horas
de tudo o que faria em minha vida:
as horas de estudar, de ir sem demoras,
prá escola, para o campo, para a lida...

 


Pautou-se assim a vida por horários
que ali (talvez sem querer) foi o mostrar-me;
guardei, ao registar, momentos vários
larguei as horas só... ao reformar-me

 


A alma com saudade me revive
a hora que faz tempo aconteceu;
E tenho outra alegria: ainda vive
quem tão bonita oferta então me deu. (*)

 

 

 

 

 

(*) os meus pais estão à beira dos 95 e 91 anos

 

 

 

 

Joaquim Sustelo

publicado por tardesdeoutono às 14:04

Dezembro 05 2010

 

AO ESCURECER



Caminho pela rua em passo lento
A sós comigo...
Escutando o que me diz o pensamento,
Assim prossigo


Eu gosto de me ouvir de mim pra mim
E estar atento;
Acena-me algum banco de jardim
Mas não me sento


Prefiro caminhar comigo próprio:
Sigo… divago...
Absorvo os pensamentos como ópio
E me embriago


Há luzes que cintilam nas janelas
Quase em geral;
Parece que do Céu caíram estrelas
Para o Natal


Um cão passa a correr, deve ir pra casa
Que leva pressa...
Nem olha! Se o fizer sabe que atrasa,
Não quer conversa


O dia já mergulha na penumbra,
O sol fugiu...
E doravante a rua não deslumbra
Que o tempo é frio

Além de mim circula um transeunte
Que perto passa;
Um outro vai pedir-he que se junte,
(Da mesma raça)


Apresso um pouco o passo, a rua é morta
Fria e silente.
Apanho o ascensor, a chave à porta...
Já estou mais quente


Mais tarde chegas tu, de amor há lume
Que aquece bem.
Porém chega no vento algum queixume
De quem não tem...


... Não tem amor nem tecto e no porvir
Há noites frias;
(Agruras num Natal que está pra vir
Dentro de dias.)


21.12.06
Joaquim Sustelo
(editado em OS MEUS CAMINHOS)

publicado por tardesdeoutono às 20:10

Novembro 30 2010

  

QUERIDO(A) AMIGO (A)

 

 

Hoje, terça-feira, das 22 h às 24 horas na hora portuguesa (20 às 22 horas no Brasil) estará no ar o meu programa Saboreando, um programa de música e poesia na Rádio Raizonline.

 

Passarei poemas de alguns de vocês.

 

Para ouvir, basta clicar em  http://www.raizonline.com/radio/ . Se tiver dificuldades, vá actualizando, clicando em F5.

 

(Em alternativa poderá ainda tentar em 

 
http://www.raizonline.com/radio/index2.htm
 
http://raizonline.listen2myradio.com/  )

 


 Adicione-me em raizonline@hotmail.com se quiser falar comigo. Será um prazer.

 

Até logo.

 

Um abraço

Joaquim Sustelo

 

   
publicado por appoetas às 18:57

Novembro 18 2010

 

NAQUELE IMENSO MAR


Naquele imenso mar dos nossos sonhos
Em vagas semeados e dispersos,
Nos dias soalheiros e risonhos
Eu vi crescer Amor plantado em versos


Surgia pelas alvas madrugadas
Na espuma que brilhava à luz do sol;
E as letras produziam encantadas
Um poema, dois poemas... um lençol...


Na praia, uma falésia como fundo,
Lembrava a cada instante e ao segundo
Que as ondas ao bater, nela se esmagam


Ruíram alguns sonhos pelo choque.
Não sei onde os restantes se coloque
Que são ainda tantos que embriagam.



Joaquim Sustelo

publicado por tardesdeoutono às 01:24

Novembro 16 2010

  

Amigo(a)

 

Oiça-me hoje na Rádio RaizOnline das 22 às 24 horas (hora portuguesa), no meu programa Saboreando.

 

Saboreando é um programa de música e poesia, a que pode aceder através do link

  

http://www.raizonline.com/radio/

 

Em alternativa, caso não oiça bem naquele, clique num destes dois:


http://www.raizonline.com/radio/index2.htm
 
http://raizonline.listen2myradio.com/

 

 

Passo sempre poemas de amigos.

 

 

Obrigado pela companhia.

 

Abraço

 

Joaquim Sustelo

  

  

  

 

NÃO PERCA!

Boa Poesia na interpretação perfeita de Joaquim Sustelo.

Maria Ivone Vairinho

 

 

 

 

 

publicado por appoetas às 19:55

Outubro 25 2010

ADORO


Adoro esse teu rosto, a forma suave
Adoro o teu sorriso de cetim
Adoro a tua alma (e tenho a chave)
Adoro o que tens sido para mim


Adoro. E nem sequer há quem me trave
Adoro-te qual flor de algum jardim
Adoro como adora o ninho, a ave,
Adoro quanto és... sem mais... assim


Adoro. E de adorar-te não me farto
Quer seja em pleno amor tido num quarto
Quer seja dia a dia quando falas


Adoro o que me dizes, por ser mago...
Adoro o teu silêncio e me embriago
Se um beijo tu me dás quando te calas.


Joaquim Sustelo
(em CAMINHOS DA VIDA)

publicado por tardesdeoutono às 08:36

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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